terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Incêndio e frustração

Bombeiros combatem o incêndio
Quando eu soube deste dramático incêndio ocorrido na boate Kiss, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, me senti frustrado. Aliás, é como eu me sinto, cada vez que um acidente deste tipo acontece e se constata que medidas preventivas não foram adotadas. Me lembrei da aula de despedida do professor Andrew Hale, na universidade de Delft. Esta aula foi transformada em um artigo publicado na revista Laboreal e reproduzo aqui um pequeno trecho:

A loucura também se refere às emoções conflituosas que a segurança, ou melhor, o seu oposto, um acidente sério, fazem surgir. A primeira e mais dolorosa, é o luto sem esperança, às vezes tornando-se numa fúria louca que ocorre com a morte ou lesão grave de um membro familiar ou amigo. É para prevenir esta loucura, a dor, o luto e a perda, que a maior parte de nós, no campo da segurança, dedicamos as nossas vidas e todas as nossas capacidades.
Ora, se nos dedicamos tanto a este assunto, há tanto tempo, como podemos admitir que um incêndio mate mais de 200 jovens, que não tiveram tempo de sair com segurança de uma casa em chamas e fumaça? Os recursos necessários para situações desse tipo estão previstos nas normas técnicas nacionais e na maioria  dos códigos locais. Qualquer projeto decente deveria prever isso. Mas, será que existe um projeto, neste caso? Não há necessidade de novas leis para este assunto. Ele está tecnicamente contemplado pela ABNT e pela legislação existente. O que é urgente é a fiscalização, e a educação para a prevenção.

A mais importante instituição internacional nessa área é a NFPA. No seu portal de informações, ela aborda este incêndio na boate Kiss e mostra que há lições aprendidas com eventos semelhantes ocorridos ao redor do mundo. Vale a pena conferir esta abordagem, onde se comprova que os incêndios em locais de afluência de público são os que mais causam mortes quando os recursos, sistemas e materiais adequados não estão presentes. A íntegra desta reportagem está no portal da NFPA (www.nfpa.org).

Não vou mencionar as causas prováveis pois a cobertura da imprensa tem sido muito ampla e não faltam especialistas para tratar do assunto. Explicações e punições não suficientes para confortar as famílias nem para evitar novas tragédias. Precisamos enfatizar a importância de projetos, aprender a conviver com as restrições impostas pelas técnicas de prevenção de acidentes e prover recursos para uma fiscalização eficaz, enfim, cultivar a cultura da segurança.